Retrocesso - Gestão municipal sepulta a cultura Mossoroense



Como um mito construído pelas gestões passadas, de ser a cidade que respirava cultura no Estado Rio Grande Norte, chegando a disputar por duas vezes o título de “Capital Brasileira da Cultura”, sendo a última em 2007, Mossoró assistiu nesta quarta-feira, (27), a sessão extraordinária da Câmara Municipal sepultar a Secretaria Municipal de Cultura.

Secretaria Municipal de Cultura é o órgão responsável para mediar às três dimensões da cultura: simbólica, cidadã e econômica. A extinção da pasta está no pacote da nova reforma administrativa realizada pelo Governo Silveira, e que estranhamente contou com o consentimento da agora ex-secretária de cultura, bem como do setor do PT que é aliado do Prefeito.

Mossoró conta com bons e belos equipamentos para incentivar artistas na produção e difusão da cultura local, sendo a maioria concentrados no chamado “Corredor Cultural”, onde abriga o Teatro Municipal, a Estação das Artes Poeta Eliseu Ventania, o Memorial da Resistência e a Praça de Eventos. 

Lamentavelmente, nos últimos dois anos, os equipamentos públicos de cultura da cidade tiveram um alto grau de sucateamento por falta de zelo e de investimentos. A Escola de Artes que já chegou a ter mais de mil inscrições de alunos participando de diversas atividades culturais está passando por um esvaziamento e hoje não atinge 500 inscrições ao ano. 

O Memorial da Resistência está fechado e com instalações elétricas danificadas, fruto de um incêndio de grandes proporções ocorrido no ano passado. O espaço já chegou a ser cedido, sem licitação, para a exploração comercial de um correligionário do prefeito. 

O Teatro Municipal está com o sistema de refrigeração funcionando de forma precária e para a realização de atividades, além do custo com a pauta, os promotores de eventos tem que alugar de empresas privadas um sistema auxiliar de ar condicionado para o público, como forma de amenizar o calor durante as apresentações. O revestimento das paredes está caindo e deixando o espaço com aspecto visual feio e penoso. A Biblioteca e o Museu Municipal funcionam apenas em um expediente durante o dia e praticamente sem atendimento ao público.

Como se não bastasse o sucateamento dos equipamentos públicos de cultura, os artistas reclamam que o município não cumpre com as obrigações básicas, como pagamento de cachê de apresentações e o fim da política de editais dos Prêmios de Fomento. 

Segundo o ator e diretor teatral Dionísio do Apodi, do Grupo O Pessoal do Tarará, “Essa reforma do prefeito significa uma afronta para quem já lutou pela cultura de Mossoró”, Dionísio ainda alerta para um aspecto preocupante, “o que ninguém tá se ligando é que no Sistema Nacional de Cultura é necessário uma Secretaria de Cultura no município para receber verbas federais” e diz que “é estranho em Mossoró ser aceita essa junção com tanta passividade”. 

Fonte: Luiz Carlos - Vice Prefeito
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