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Para diretor de Alcaçuz, novo confronto entre facções é impossível

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Ivo Freire, diretor de Alcaçuz (Foto: Marksuel Figueiredo/Inter TV Cabugi)
Para Ivo Freire, diretor de Alcaçuz, não existe possibilidade de outro confronto na penitenciária. Depois de duas semanas de rebeliões e confrontos entre facções rivais. “Hoje, em Alcaçuz, todos os apenados estão dentro dos pavilhões”, disse em entrevista à Inter TV Cabugi veiculada nesta sexta-feira (3).

Na noite do sábado, 14 de janeiro e madrugada do domingo, 15 de janeiro, um massacre chefiado por uma facção criminosa deixou pelo menos 26 mortos. A prisão passou a noite às escuras, porque a energia elétrica havia sido cortada. Do lado de fora, ouviam-se os pedidos de socorro de alguns detentos.

“Por que a gente não entrou no sábado? Porque a crise já se instaurou pela noite, então existia um risco para a tropa e inclusive para os apenados”, explica Ivo.

“Estava tudo escuro aqui, os detentos danificaram a parte elétrica. Não é que tenha demorado em si. Pela questão da superlotação de Alcaçuz e também dos danos causados ao [presídio] Rogério Coutinho, não tinha ainda como contê-los dentro das celas ou separar.”

Desde o dia 21, uma barreira provisória de contêineres separa os pavilhões 1,2 e 3 (ocupados pelo Sindicado do RN) dos pavilhões 4 e 5 (dominados pelo PCC) até que um muro de concreto seja construído. “Em relação às facções, depois dessa parte dos contêineres e da colocação do muro nos próximos dias, vamos minimizar, creio, essa questão do confronto”, opina o diretor de Alcaçuz.

Choque anunciado

“A gente já estava monitorando um possível confronto, já estávamos preocupados pelos fatos que ocorreram em outros estados. A gente não esperava que essa ação deles aconteceria daquele momento”, conta Ivo. Segundo ele, na semana seguinte ao começo da rebelião, uma parede de contenção seria construída entre Alcaçuz e o Rogério Coutinho, o chamado Pavilhão 5, de onde saíram os membros do PCC que comandaram a chacina.

Contagem dos presos

Segundo Ivo Freire, todos os presos que não responderam à chamada, mas cuja fuga não havia sido confirmada, já foram encontrados. “No decorrer desses dias, vários presos saíram de progressão de regime semiaberto, outros com alvará, outros partiram para o lado de lá, do Rogério Coutinho. Todos esses que estavam faltando a gente já achou, no sentido se saber para onde foram”, esclarece.

Apesar disso, Ivo não descarta a possibilidade de haver mais corpos escondidos na penitenciária. “Realizamos algumas revistas e buscas em torno do presídio, junto com o Itep e com a Polícia Civil. Identificamos mais vestígios de corpos, mas nenhum corpo a mais. Seriam pedaços de alguns que já estariam no sistema do Itep”, relata. Só com o tempo para a gente saber se realmente existe algum outro corpo ou não. Não posso dar 100% de certeza que não existem mais.”

‘Círculo vicioso’

Para Ivo Freire, o Estado precisa de uma nova estratégia para o sistema penitenciário. “Temos que trabalhar esse apenado quando ele sair daqui. A gente viu o que aconteceu em Alcaçuz, nos outros estados, vai ser um círculo vicioso. A gente tem que repensar essa forma de punição. O apenado deve ser punido aqui, mas também ele tem que ser inserido na sociedade de outra forma”, conclui.

Com informações G1/RN

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