Brasil

“Não me desviarei de entregar um país em condições melhores”, diz Temer


Em meio à crise política, o presidente Michel Temer saiu em defesa da agenda de reformas na economia e voltou a atacar as acusações dos executivos do grupo JBS. Em artigo publicado no jornal “Folha de S. Paulo” neste domingo, Temer afirma que a aprovação na semana passada de sete medidas provisórias, no Congresso, além do avanço da reforma trabalhista, mesmo após a manifestação na Esplanada, são exemplos de que mantém sua governabilidade.

“Vamos perseverar nesta travessia. Não me desviarei de entregar ao meu sucessor, em 2019, um país em condições bem melhores do que recebi. Sem as reformas, o Brasil não se sustentará. Todos, inclusive, a oposição sabem disso”, argumentou o presidente.

No artigo, Temer diz que se dedica às reformas desde o primeiro dia de seu governo e afirma que a escolha de sua equipe econômica foi pautada nelas. Para o presidente, “são “gestores competentes” para enfrentar os desafios e que têm “sensibilidade para preservar de cortes os programas sociais”.

Temer escreveu que graças a uma concentração de esforços, o país está avançando, mas que esse processo demora e precisa de “estabilidade para se consolidar”. O presidente classifica a “modernização trabalhista” como a mais relevante entre as reformas e acrescenta que esta está em vias de ser aprovada no Senado e “logo chegará a vez da reforma previdenciária”.

As medidas têm sido alvo de protestos constantes em todo o Brasil, como o da última quarta-feira. Diante disso, Temer reconhece que manter a governabilidade “não foi trivial em meio ao grande tumulto orquestrado contra Brasília”. Ele afirma, enfático, que o “Brasil não parou e não vai parar”.

Desde que GLOBO revelou a gravação em que Temer dá aval para Joesley Batista comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha na cadeia, o Planalto vive uma crise sem precedentes e a aprovação das reformas econômicas, vitrine do governo, têm futuro incerto.

No artigo, o presidente também classificou como “clandestina” e “imprestável” a gravação feita pelo empresário Joesley Batista e criticou o que chamou de “interpretações voluntaristas”.

“Democrata que sou, vejo a liberdade de expressão ser extrapolada por interpretações voluntaristas, sem amparo na rigorosa apuração dos fatos. Falsas confissões são alardeadas em gravação clandestina, imprestável, segundo peritos, como prova – e que nem sequer, pasmem, foi custodiada e periciada”, escreveu Temer, que também alfinetou as condições do acordo de delação dos executivos da JBS.

“Aos criminosos que tudo tramaram foi dado passaporte livre para viver com luxo em qualquer parte do mundo”, escreveu Temer, em referência a Joesley Batista, que está em Nova York desde que o conteúdo de sua delação foi divulgado.

O áudio do diálogo embasou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar Temer e passa por uma perícia do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. No pedido de inquérito, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou o presidente de envolvimento com pelo menos três crimes: corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa.

Com informações Agência O Globo

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.