Cotidiano

Vigilantes da UERN paralisam trabalho por tempo indeterminado


Servidores de vigilância da UERN paralisaram todas as suas atividades em Mossoró, Patu, Pau dos Ferros. A motivação do protesto já não é nenhuma novidade para a comunidade acadêmica: dois meses de atrasos salariais e não pagamento de vales-refeição.

De acordo com Milton Barros, que é vigilante e membro da comissão de negociação formada pelos terceirizados, a paralisação foi articulada pela própria categoria e recebeu apoio do Sindicato Intermunicipal dos Vigilantes do RN (Sindsegur). Ele destacou que os trabalhadores e trabalhadoras só retornarão aos postos de trabalho quando os valores em atraso forem depositados.

O vigilante afirma que a falta de compromisso da empresa contratante e o silêncio da administração da universidade têm sido muito desconfortáveis para a categoria, que convive com a incerteza da falta de pagamento e sem a garantia de direitos essenciais.  

A direção do Sindsegur esteve presente na manhã de hoje (10) no Campus Central, onde organizou uma manifestação nos portões da universidade. Em Mossoró a paralisação também atingiu o Epílogo de Campos, Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) e Faculdade de Enfermagem (FAEN).

Esta é a quarta vez que o funcionamento da UERN fica prejudicado pela falta de compromisso com o vencimento de servidores terceirizados. Nas outras três oportunidades foram os ASG’s que cruzaram os braços contra a falta de pagamento.

Em nota oficial a UERN explicou as motivações dos atrasos: “Com relação às faturas pelos serviços prestados pela RN Segurança nos meses de maio e junho de 2017 a UERN ainda não recebeu a documentação exigida para dar prosseguimento ao processo. A empresa precisa enviar os relatórios, lista de funcionários, bem como comprovações de salários, FGTS e INSS e, portanto, estas faturas ainda não se encontram aptas a pagamento. Por conseguinte, notificamos a empresa por atraso na quitação desses salários”, destacou o documento. 

Terceirização é escravidão

A Direção da ADUERN esteve presente na manifestação dos terceirizados e prestou solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras. Lemuel Rodrigues, presidente da ADUERN, destacou que o processo de terceirização realizado na universidade foi fundamental para a precarização das condições de trabalho e de vida dos servidores.

“A terceirização é um processo cruel, que massacra os trabalhadores. A ADUERN sempre alertou que esta não era a saída para nossa universidade e que só serviria para precarizar e piorar a vida de quem depende da UERN para sobreviver. Hoje estamos vivendo a quarta paralisação de terceirizados e o motivo é mesmo: atrasos, falta de compromisso e leniência da empresa e administração central” destacou Lemuel.

Insegurança na UERN assusta até mesmo os vigilantes

O vigilante Milton Barros relembra que outra problemática vivida pelos terceirizados é a ausência de condições dignas para trabalhar. Ele explica que até mesmo os próprios vigilantes temem a insegurança e falta de estrutura da universidade e que seria necessário um amplo investimento para que esse cenário pudesse ser mudado.

“O contingente de vigilantes é pequeno. Mínimo! Em alguns pontos da universidade temos apenas um profissional para vigiar uma área imensa. A Iluminação é precária, não temos câmeras de segurança, rádios de comunicação e nem um patrulhamento motorizado. Tudo isso ajudaria na proteção da UERN e na nossa também” afirma.

A paralisação dos vigilantes vem em um momento conturbado na universidade, com relatos de assaltos em seus corredores e muita reclamação por parte de estudantes, docentes e técnicos. Na última semana cartazes foram espalhados pelos corredores da UERN denunciando a falta de segurança na instituição.

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